gato supreendido

Na minha opinião, muitos dos problemas sociais têm origem na infância. Nessa altura da nossa vida, ao sermos mais men­talmente permeáveis, somos influenciados pelas coisas sem nos apercebermos. Por exemplo, através de canções infantis. E agora, ao olhar para trás, verifico que existe uma canção infantil que me faz especial confusão. Todos a conhecemos: «Atirei o Pau ao Gato». Ora eu decidi deixar aqui uma análise séria e aprofundada sobre a letra desta tão difundida música.

Atirei o pau ao gato-to
Mas o gato-to não morreu-eu-eu

Antes de mais, acho que é evidente que quem criou e canta isto é um gago. Só que este tipo para além de gago, é um idiota. Senão ve­jam: por algum motivo que desconhecemos, ele decide matar um gato. Decide matá-lo com um pau – tudo bem, funciona – mas não é à pau­lada, que isso dá muito trabalho: é preciso o gajo levantar-se e estar a bater não sei quantas vezes no gato… Não, isso é demasiado cansativo. Ele prefere atirar-lhe um pauzinho. E depois fica muito admirado do gato não ter morrido. Está a ver, leitor? Este tipo é um idiota.

Vamos passar às próximas estrofes da canção.

Dona Chica-ca assustou-se-se
Com o berro, com o berro
Que o gato deu – MIAU!

Ora bem, quanto ao facto dos gatos não berrarem, mas sim miarem, nem vale a pena falar, até porque isso é comprovado no fim pela pala­vra «MIAU». Por isso vou passar já ao que é mais importante: quem é a Dona Chica? Mais uma vez, à semelhança da tal Joana, ninguém nos diz quem é esta mulher. Sabemos que é uma idosa porque se referem a ela como «Dona», é verdade, mas não sabemos bem quem ela é: será a avó dele, será a governanta, ou será que o gago tem um fetiche qualquer com velhas?

De qualquer maneira, acho que isto tudo é uma falta de respeito para com a senhora. Quer dizer, a senhora está sossegada, a descansar, e o sacana do gago, porque não tem nada que fazer e meteu na cabeça que queria matar um gato, assusta a velhota! E isto é um perigo, porque não se sabe se a Dona Francisca tem problemas cardíacos. Podia-lhe ter dado ali o badagaio e depois como é que era? Era o gago que ligava para o 112? Ou ia lá com o pauzinho ver se o corpo da velha ainda mexia?

É que nós andamos a cantar isto às nossas crianças! E agora eu pergunto: é este o modelo de adulto que nós lhes queremos dar? Um homem com uma deficiência da fala, que gosta de matar animais e tem um fetiche sexual com velhas?! Peço desculpa, leitor, mas este gajo re­volta-me. Não há problema nenhum em ser gago e, quanto ao fetiche com velhas, cada um gosta do que gosta. Agora matar animais é que não!! Porque se ele quer matar animais, então que vá para África matar moscas, sempre ajuda a resolver um problema! ■

(Se não está ainda familiarizado com o flagelo das moscas em África, não se preocupe: poderá ficar a saber tudo sobre o assunto aqui)

 

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