
Comprei uns Crocs. São óptimos: extremamente leves e confortáveis, pelo que fazem um bom andar (às vezes até parece que não tenho nada calçado), têm um design diferente e inovador, são frescos e, para além disso, ainda têm uma grande variedade de cores. E notem que não comprei aquelas falsificações horrorosas que são vendidas no chineses, comprei mesmo os verdadeiros – custaram-me cerca de 40 euros – porque, esses sim, são os melhores. Ainda para mais, os Crocs ficam bem com praticamente qualquer roupa e estão completamente na moda.
Agora a sério, eu não comprei nenhuns Crocs. Se o leitor ficou desiludido por isso, devido a já ter uns ou gostar de vir a ter, então eu peço-lhe encarecidamente que páre de ler este texto e faça um jogo comigo: vamos ver quem, de nós os dois, toma mais cápsulas de cianeto no espaço de um minuto. Começa o leitor. Se por outro lado, ao ler o texto inicial, o leitor desenvolveu imediatamente uma acentuada vontade de me sovar, então é porque tal como eu, sofre de uma patologia (aparentemente) rara: ÓDIO visceral a Crocs (creio que o nome científico é Odius Visceralis a Imbecilis).
Os Crocs não são um conceito novo, uma vez que todas as crianças de quatro anos com problemas ortopédicos (como joelhos «metidos» para dentro) as usam há sensivelmente 30 anos. A sua beleza, apesar de quase consensual (entre imbecis), levanta algumas questões, tais como: terão milhares de pessoas ficado cegas instantaneamente? Existirão pessoas que detêm a capacidade de comprar, mesmo não tendo cérebro? Poderão afinal, os métodos nazis, ser utilizados para um propósito positivo e construtivo, através da simples substituição da palavra «judeu» pelas palavras «comprador de Crocs»?
Um argumento geralmente dado pelos amantes de Crocs é «até parece que estou descalço». Ora aqui vai uma dica que vos vai poupar 40 euros: se querem sentir que estão descalços então não usem sapatos. Surpreendente, não é? Eu cá se vou comprar sapatos quero senti-los. Quando mais pesados melhor. Quero botas militares de biqueira de aço. Isso sim são sapatos à homem.
É que embora eu odeie todos os que usam Crocs, o ódio acentua-se quando vejo um homem adulto a usar aquilo. Meus amigos, um homem pode ter dois metros, ser do tamanho de um rinoceronte, ter uma barba gigante, tatuado da cabeça aos pés, ser fuzileiro e motard, que quando calça uns Crocs fica imediatamente a parecer a Floribella. Mas sem os implantes de silicone, claro. Porque se calçar uns Crocs aumentasse automaticamente os seios, então eu próprio andaria a distribui-las, gratuitamente, pela baixa lisboeta.
Quanto às mulheres, por mais novas que sejam, por mais torneado que seja o vosso corpo, por mais volumosos que sejam os vossos seios, se calçarem uns Crocs transformam-se, invariavelmente, numa empregada doméstica de 60 anos chamada Carminda, de peles flácidas e buço. Se bem que para alguns camafeus que por aí andam até é capaz de ser uma mudança positiva. Uma coisa é certa: se o sapato que o Príncipe encontrou tivesse sido um Croc, a esta hora a Cinderella seria uma stripper, ou pior, seria caixa no Pingo Doce.
Agora peço desculpa ao leitor, mas tenho mesmo que me retirar. É que tenho vários amantes de Crocs ali fechados na câmara e ainda não liguei o gás. ■







